A quatro semanas da urna, Paes soma uma folga incomum no Rio — e o resto do tabuleiro disputa uma vaga no 2º turno
FATO.news cruzou as sete pesquisas registradas no TSE para o governo do Rio de Janeiro entre fevereiro e agosto de 2026, a avaliação do governo estadual e o que se sabe do alcance digital dos principais nomes numa simulação de Monte Carlo com 200 mil cenários. O modelo aponta 82% de chance de vitóri
Esta matéria foi produzida pela Redação fato.news com apoio da inteligência artificial ADAM, da HIMNI.COM, e passou por revisão editorial.
Esta é a primeira reportagem da série do FATO.news sobre o pleito de 2026 para o Governo do Rio de Janeiro.
O tabuleiro: quem disputa o Palácio Guanabara
Nove candidaturas foram registradas para o governo do Rio de Janeiro em 2026, mas só três aparecem de forma consistente acima de 3 pontos percentuais nas pesquisas: o ex-prefeito do Rio Eduardo Paes (PSD), favorito isolado desde fevereiro e apoiado por uma ampla coligação com MDB, PDT, PSB, Podemos, PT, PCdoB e PV; o presidente da Alerj Douglas Ruas (PL), ex-secretário de Cidades de Cláudio Castro e lançado ao lado de Michelle e Flávio Bolsonaro; e o ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos), o nome de maior recall histórico do estado — e também o de maior rejeição. Completam a disputa William Siri (PSOL), André Marinho (Novo), Cel. Busnello (Missão), Cyro Garcia (PSTU), Juliete Pantoja (UP) e Luan Monteiro (PCO), cada um pontuando entre 1% e 4% nas pesquisas de agosto.
Um dado incomum neste ciclo: o governador Cláudio Castro não é candidato à reeleição. Castro, que terminou boa parte do mandato com aprovação elevada, deixou o cargo em 23 de março de 2026 para se desincompatibilizar e, depois de dizer publicamente que "não seria candidato a nada em 2026", acabou migrando para uma candidatura ao Senado. Desde a saída de Castro, quem responde pelo Executivo estadual é o desembargador Ricardo Couto de Castro, presidente do Tribunal de Justiça do RJ, como governador interino.
O que dizem as pesquisas registradas
Sete pesquisas com registro no TSE, de quatro institutos diferentes, foram publicadas entre fevereiro e agosto de 2026:
| Instituto | Data de campo | Amostra | Margem de erro | Paes | Ruas | Garotinho | Registro TSE |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Prefab / Diário do Rio | 9–13/fev | 2.000 | ±2,2pp | 43,0% | 5,1% | — | RJ-00437/2026 |
| Genial/Quaest | 21–25/jul | 1.200 | ±3,0pp | 38,0% | 10,0% | 10,0% | RJ-02671/2026 |
| Real Time Big Data | 28/jul | 2.000 | ±2,0pp | 37,0% | 16,0% | 12,0% | — |
| Paraná Pesquisas | 31/jul | 1.600 | ±2,5pp | 48,6% | 11,1% | 11,0% | — |
| Datafolha | 18–21/ago | 1.204 | ±3,0pp | 41,0% | 19,0% | 9,0% | RJ-02945/2026 |
| Genial/Quaest | 21–24/ago | 1.302 | ±3,0pp | 37,0% | 14,0% | 7,0% | RJ-08748/2026 |
| Paraná Pesquisas | 22–24/ago | 1.600 | ±2,5pp | 44,5% | 15,5% | 11,6% | RJ-02422/2026 |
A pesquisa de fevereiro testou outro elenco (incluía Rodrigo Pimentel e Rafa Luz, que não constam entre os 9 candidatos oficializados em agosto) e por isso entra como referência histórica, não como comparação direta com as rodadas mais recentes.
Nos cenários de 2º turno já testados pela Genial/Quaest em julho de 2026: Paes 52% x Ruas 16% e Paes 48% x Garotinho 18% (ambos em votos válidos).
Aprovação e rejeição
| Avaliação | Data | Aprova | Desaprova | NS/NR |
|---|---|---|---|---|
| Cláudio Castro | fev/2026 | 39,1% | 38,9% | 22,0% |
| Cláudio Castro | abr/2026 | 35,0% | 47,0% | 9,0%* |
| Cláudio Castro | jul/2026 | 28,0% | 54,0% | 18,0% |
| Ricardo Couto (interino) | jul/2026 | 34,0% | 25,0% | 41,0% |
\*A pesquisa de abril também mediu avaliação em positiva/regular/negativa: 23% / 32% / 36%, com 9% de NS/NR — números não diretamente somáveis ao par aprova/desaprova da mesma rodada.
A avaliação de Castro piorou de forma constante ao longo do ano, num contexto marcado por sua própria saída do cargo. Ricardo Couto, o interino, tem saldo levemente positivo, mas com quase metade do eleitorado (41%) sem opinião formada — natural para uma figura pouco conhecida do público antes de assumir.
Rejeição dos três principais candidatos ao governo (Paraná Pesquisas, 22–24/ago/2026 — parcela do eleitorado que diz não votar "de jeito nenhum" no candidato):
- Anthony Garotinho: 40,3%
- Eduardo Paes: 25,3%
- Douglas Ruas: 12,6%
Garotinho carrega o maior rejeitismo do trio, reflexo de décadas de vida pública e de controvérsias associadas ao seu nome. Ruas, no outro extremo, tem a menor rejeição justamente por ser o menos conhecido fora do eixo Alerj–Baixada Fluminense: baixa rejeição, neste caso, é sinônimo de baixo reconhecimento, não de simpatia consolidada.
A batalha digital
Diferente de Goiás e da Paraíba, não há para o Rio um levantamento público e verificável do tipo "ranking de seguidores" cobrindo todos os candidatos — lacuna que esta série deve revisitar conforme novos dados surgirem. O único ponto de comparação sólido encontrado é anterior à pré-campanha oficial: em março de 2026, no episódio da prisão do vereador Salvino Oliveira, Cláudio Castro e Eduardo Paes protagonizaram o primeiro confronto digital do ciclo.
| Cláudio Castro (não é candidato ao governo) | Eduardo Paes | |
|---|---|---|
| Seguidores (Instagram) | ~2,3 milhões | ~933 mil |
| Curtidas no post sobre a prisão (24h) | 72.500 | 18.300 |
| Taxa de engajamento | ~3,1% | ~2,0% |
Não localizamos números de seguidores checáveis e atualizados para Douglas Ruas, Anthony Garotinho ou os demais candidatos — tratamos essa lacuna como parte do noticiário, não como zero, e a próxima matéria da série deve aprofundar o tema.
A simulação: como funciona o método Monte Carlo
- Pesquisas de base. Entram no modelo as três pesquisas mais recentes e comparáveis — Datafolha, Genial/Quaest e Paraná Pesquisas, todas a campo entre 18 e 24 de agosto de 2026.
- Votos válidos. Os números de cada pesquisa foram reescalados para excluir indecisos, brancos e nulos, assumindo que quem hoje não decidiu se divide, ao final, na mesma proporção de quem já decidiu — a mesma lógica dos cenários "sem indecisos" publicados pelos próprios institutos, e uma simplificação que pode não valer em caso de consolidação tardia de "voto útil".
- Incerteza por candidato. O desvio-padrão usado no sorteio vem da dispersão observada entre os institutos em agosto, inflado em 35% para refletir as quatro semanas de campanha ainda restantes até 4 de outubro de 2026 (data do 1º turno).
- 200 mil sorteios. Cada rodada gera um resultado hipotético de 1º turno, sorteando de forma independente a votação de cada candidato e renormalizando para somar 100% dos votos válidos.
- 2º turno. Nos cenários sem maioria absoluta, aplicamos os testes de confronto direto já publicados pela Genial/Quaest em julho (Paes x Ruas e Paes x Garotinho), com margem de incerteza ampliada para 5 pontos, para dar conta do tempo até 25 de outubro.
O que a simulação aponta
Primeiro turno — projeção de votos válidos:
| Candidato | Média projetada | Intervalo provável (P10–P90) |
|---|---|---|
| Eduardo Paes (PSD) | 57,4% | 48,5% – 58,0%* |
| Douglas Ruas (PL) | 22,6% | 18,2% – 24,0% |
| Anthony Garotinho (Republicanos) | 12,8% | 8,3% – 15,4% |
\*Percentis do resultado simulado (não da média de entrada): P10=48,5%, P25=50,9%, mediana=53,4%, P75=55,8%, P90=58,0%.
Probabilidades da simulação:
- Vitória de Paes já no 1º turno: 81,7% dos cenários
- Eleição indo a 2º turno: 18,3% dos cenários
- Ruas como adversário: ~98,9% desses cenários (18,1 dos 18,3 pontos)
- Garotinho como adversário: ~1,1% desses cenários (0,2 ponto)
- Ruas x Garotinho sem Paes: não ocorreu em nenhum dos 200 mil cenários — o modelo nunca tirou Paes do top 2
- Vitória final de Paes (1º ou 2º turno): > 99% — o modelo não registrou nenhuma derrota de Paes nos 200 mil cenários simulados (ambos os confrontos de 2º turno partem de vantagens de ~75 a 24 pontos em votos válidos). Tratamos isso como piso estatístico, não como certeza absoluta: o risco residual está em eventos fora do modelo, não em acaso amostral.
Um dado curioso escondido nas próprias pesquisas: quando a Genial/Quaest retira Garotinho do cenário, quem mais cresce é Paes (+4 pontos), não Ruas (+1 ponto). Isso sugere que o eleitorado de Garotinho está mais próximo do campo de Paes do que se costuma supor — um fator que a simulação não modela diretamente, mas que ajuda a explicar por que a vantagem de Paes se mantém tão estável entre cenários.
Ressalvas do modelo
Probabilidade não é destino, e o modelo lê os dados de agosto — não prevê fatos novos. Quatro riscos concentram a maior parte da incerteza residual: (1) decisões da Justiça Eleitoral — registros de candidatura ainda podem ser impugnados até a diplomação, e o próprio ciclo já mudou de rota uma vez, quando Castro trocou o governo pelo Senado; (2) consolidação à direita — Ruas e Garotinho disputam o mesmo eleitorado conservador, e uma desistência ou racha pode concentrar votos rapidamente em um dos dois; (3) indecisos e voto útil — o modelo assume divisão proporcional dos indecisos, mas na prática eles costumam migrar em bloco para quem parece "dar certo", o que tende a favorecer o líder, mas não é garantido; (4) candidatos pequenos — Siri, Marinho, Busnello, Cyro Garcia, Pantoja e Monteiro somam pouca amostra em cada pesquisa, e são o pedaço menos confiável do modelo.
Ficha técnica
Pesquisas utilizadas na simulação: Datafolha (18–21/08/2026, TSE nº RJ-02945/2026, n=1.204, MoE 3pp); Genial/Quaest (21–24/08/2026, TSE nº RJ-08748/2026, n=1.302, MoE 3pp); Paraná Pesquisas (22–24/08/2026, TSE nº RJ-02422/2026, n=1.600, MoE 2,5pp). Pesquisas de referência (contexto/tendência): Prefab/Diário do Rio (9–13/02/2026, TSE nº RJ-00437/2026); Genial/Quaest (21–25/07/2026, TSE nº RJ-02671/2026 e BR-07670/2026); Real Time Big Data (28/07/2026); Paraná Pesquisas (31/07/2026); Genial/Quaest — avaliação de governo (21–25/04/2026 e 21–25/07/2026). Dados de redes sociais: Diário do Rio / Tempo Real RJ, episódio de mar/2026 (prisão de Salvino Oliveira). Método: simulação de Monte Carlo, 200.000 iterações, Python/NumPy, executada pela redação do FATO.news em 08/09/2026. Script salvo em `montecarlo.py` (seed=20260908). Calendário eleitoral: 1º turno em 4 de outubro de 2026; 2º turno, se necessário, em 25 de outubro de 2026 (TRE-SP/Constituição Federal).
Fontes:
- Gazeta do Povo — Quaest, governador RJ, ago/2026
- Gazeta do Povo — Paraná Pesquisas, governador RJ, ago/2026
- França News — Datafolha, governador RJ, ago/2026
- Band — Genial/Quaest, governador RJ, jul/2026
- Brasil de Fato — panorama das pesquisas, jul/2026
- Diário do Rio — Prefab, fev/2026
- Poder360 — avaliação de Castro, Quaest, abr/2026
- SINFRERJ — Castro x Ricardo Couto, Quaest, jul/2026
- Tempo Real RJ — engajamento digital Castro x Paes, mar/2026
- JOTA — os 9 candidatos ao governo do RJ, ago/2026
- InfoMoney — candidatos ao governo do RJ, 2026
- Gazeta do Povo — pré-candidatos e o campo de direita, 2026
- Poder360 — Castro sobre não ser candidato, 2026
- Gazeta do Povo — Castro migra para o Senado, 2026
- TRE-SP — calendário eleitoral 2026
- Gazeta do Povo — perfil de William Siri
Fontes consultadas
Referências utilizadas na apuração e disponíveis para conferência.
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