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Corrida ao Palácio das Esmeraldas: simulação aponta Daniel Vilela como favorito folgado para suceder Caiado em Goiás

A um mês do primeiro turno, FATO.news cruza as pesquisas registradas no TSE, os números de aprovação do governo e o desempenho dos candidatos nas redes sociais numa simulação de Monte Carlo com 200 mil cenários. O modelo aponta 95% de chance de vitória do vice-governador Daniel Vilela (MDB) — seja n

ADAM
INTELIGÊNCIA EDITORIALApuração assistida por ADAMMotor de IA da HIMNI.COM · Revisão humana obrigatória
Imagem de capa: Corrida ao Palácio das Esmeraldas: simulação aponta Daniel Vilela como favorito folgado para suceder Caiado em Goiás
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Esta matéria foi produzida pela Redação fato.news com apoio da inteligência artificial ADAM, da HIMNI.COM, e passou por revisão editorial.

Esta é a primeira reportagem da série do FATO.news sobre o pleito de 2026 para o Governo de Goiás.


O tabuleiro da sucessão

Goiás chega à eleição de 2026 num cenário raro: o governador em exercício, Ronaldo Caiado (PSD), não disputa a reeleição — ele deixou o Palácio das Esmeraldas para concorrer à Presidência da República, com aprovação recorde no estado. Em seu lugar, quem tenta manter o grupo governista no poder é o vice-governador Daniel Vilela (MDB), filho do ex-governador Maguito Vilela e político com longa trajetória na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados antes de assumir a vice em 2023.

Do outro lado, dois nomes disputam o papel de principal alternativa: o ex-governador Marconi Perillo (PSDB) — que já comandou o estado por dois mandatos (1999–2006 e 2011–2018) e presidiu o PSDB nacional — e o senador Wilder Morais (PL), ligado ao bolsonarismo e em ascensão nas pesquisas mais recentes. Completam a disputa o deputado federal Luís Cesar Bueno (PT), escalado pelo partido depois que a deputada Adriana Accorsi optou por disputar a reeleição à Câmara, além de candidaturas de menor expressão como a de Luciana Amorim (UP) e Danilo Pinheiro (PCO).

O que dizem as pesquisas registradas

Quatro institutos divulgaram pesquisas quantitativas para o primeiro turno em Goiás só nas últimas semanas de agosto e no início de setembro de 2026, todas registradas no TSE:

PAINEL DE DADOSComparativo da matéria
InstitutoPeríodoAmostraMargem de erroVilelaPerilloMoraisBuenoOutros/Br./Nulo/NS
Quaest/Genial23–26/08/20268043 p.p.37%20%12%4%27%
Real Time Big Data24–27/08/20261.6002 p.p.45%22%17%6%10%
AtlasIntel27/08–01/09/20261.2143 p.p.43,5%16,1%20,1%10,7%9,7%
Paraná Pesquisas*14–17/08/20261.2402,8 p.p.45,8%24,9%

*A Paraná Pesquisas não teve o desdobramento completo de todos os candidatos divulgado publicamente nesta rodada; por isso não entrou na simulação quantitativa, mas confirma a mesma ordem de grandeza das demais. Em julho, a mesma pesquisa já mostrava Vilela com 44,4% e Perillo com 25,4%.

Em todos os levantamentos recentes, Vilela aparece à frente com folga — entre 37% e 45,8% no cenário estimulado —, seguido por uma disputa mais acirrada pela segunda posição entre Perillo e Morais, com Bueno estabilizado numa faixa de 4% a 11%.

Nos cenários de segundo turno já testados pelos institutos, Vilela também vence com folga em todas as combinações simuladas:

  • Vilela x Perillo: 57,2% a 25,6% (AtlasIntel) e 53% a 28% (Quaest)
  • Vilela x Morais: 53,7% a 28,9% (AtlasIntel) e 56% a 18% (Quaest)
  • Vilela x Bueno: 60,2% a 16,2% (AtlasIntel)

Aprovação e rejeição: o efeito Caiado

A candidatura de Vilela é blindada, em boa medida, pela avaliação do governo Caiado. A Real Time Big Data mediu em março de 2026 aprovação de 82% e desaprovação de 15% para a gestão estadual, com 58% classificando o governo como ótimo ou bom. Já a Paraná Pesquisas, em julho, atribuiu a Vilela — como vice em exercício — 74,5% de aprovação pessoal.

A pesquisa mais recente da AtlasIntel (27/08 a 01/09) foi além da intenção de voto e mediu a avaliação de imagem dos principais nomes da política goiana:

PAINEL DE DADOSComparativo da matéria
NomeAvaliação positivaAvaliação negativaSaldo
Ronaldo Caiado70%26%+44
Daniel Vilela56%24%+32
Lula34%62%−28
Marconi Perillo25%61%−36

O mesmo padrão aparece nos índices de rejeição medidos pela Paraná Pesquisas/Portal 6 em agosto: Perillo carrega a maior rejeição da disputa (40,8%), bem à frente de Morais (18,5%), Vilela (15,1%), Bueno (10,4%) e Amorim (7,4%). É um dado relevante porque rejeição alta tende a travar o crescimento de um candidato mesmo quando ele lidera pesquisas de intenção espontânea de voto — o caso de Perillo, cujo nome é o mais conhecido do estado, mas também o mais rejeitado entre os concorrentes.

A batalha digital

Um levantamento da Sólon Data, publicado em 7 de setembro de 2026, mediu o tamanho da audiência digital dos cinco candidatos e o ritmo de crescimento nos 30 dias anteriores:

PAINEL DE DADOSComparativo da matéria
CandidatoPartidoSeguidores (redes sociais)Crescimento em 30 dias
Daniel VilelaMDB266.000+8.100
Wilder MoraisPL187.000+5.900
Marconi PerilloPSDB183.000+5.500
Luís Cesar BuenoPT17.000+7.700
Luciana AmorimUP716+239

Vilela lidera tanto em volume absoluto de seguidores quanto em crescimento no período, reforçando nas redes a mesma vantagem que aparece nas pesquisas de voto. Chama atenção o desempenho de Bueno, que parte de uma base pequena mas cresce proporcionalmente mais rápido que Perillo e Morais — um sinal de mobilização digital da campanha petista, ainda distante, porém, de ameaçar a briga pela segunda posição. Vale o alerta: o próprio levantamento frisa que a métrica mede exclusivamente performance digital, sem relação direta e automática com intenção de voto.

Vale registrar ainda que a Justiça Eleitoral já determinou, no início de setembro, a suspensão de impulsionamentos pagos de Perillo e Morais contra Vilela nas redes — um indício de que a disputa digital também está sendo travada (e disputada judicialmente) fora da métrica orgânica de seguidores.

A simulação: como funciona o método Monte Carlo

Para transformar esse conjunto de pesquisas — que discordam entre si, como é normal, mas dentro de faixas relativamente próximas — numa estimativa probabilística única, o FATO.news rodou uma simulação de Monte Carlo com 200 mil cenários eleitorais hipotéticos. A lógica é a seguinte:

  1. Pesquisas de base. Entram no modelo as três pesquisas mais recentes com desdobramento completo de todos os candidatos — Quaest/Genial, Real Time Big Data e AtlasIntel —, ponderadas pelo tamanho da amostra de cada uma.
  2. Sorteio e ruído amostral. Em cada uma das 200 mil rodadas, o modelo sorteia aleatoriamente qual das três pesquisas serve de referência (institutos maiores pesam mais) e simula um novo resultado a partir dela, aplicando ruído estatístico equivalente à margem de erro amostral daquele instituto. Isso reproduz tanto a divergência natural entre institutos ("efeito-casa") quanto a incerteza amostral de cada pesquisa isolada.
  3. Redistribuição dos indecisos. Os eleitores que hoje se declaram indecisos são redistribuídos, em cada cenário, proporcionalmente às preferências já manifestadas — com um fator de ruído adicional para simular que essa divisão não será perfeitamente proporcional na urna.
  4. Definição do 1º turno. Um candidato só vence em primeiro turno se ultrapassar 50% dos votos válidos (excluídos brancos e nulos), como determina a legislação eleitoral.
  5. Simulação do 2º turno. Quando nenhum candidato atinge maioria absoluta, o modelo simula o segundo turno com base nas pesquisas de confronto direto já divulgadas para cada dupla possível (Vilela x Perillo, Vilela x Morais, Vilela x Bueno), também com ruído estatístico.

O código da simulação está disponível para verificação e pode ser reproduzido por qualquer pessoa com Python e a biblioteca NumPy.

O que a simulação aponta

Primeiro turno — projeção de votos válidos:

PAINEL DE DADOSComparativo da matéria
CandidatoMédia projetadaIntervalo provável (P10–P90)
Daniel Vilela (MDB)49,5%47,1% – 51,9%
Marconi Perillo (PSDB)22,9%17,2% – 27,7%
Wilder Morais (PL)19,5%16,2% – 22,9%
Luís Cesar Bueno (PT)8,1%5,3% – 12,3%

O resultado mais notável é que a média projetada de Vilela (49,5%) fica na borda exata dos 50% que definem uma vitória em primeiro turno — o que faz da eleição goiana um caso raro de indefinição não sobre quem vai vencer, mas sobre quando.

Probabilidades da simulação:

  • Vitória de Vilela já no 1º turno: 39,4% dos cenários
  • Eleição indo a 2º turno: 60,6% dos cenários
  • Perillo como adversário: 50,8% desses cenários
  • Morais como adversário: 49,2% desses cenários
  • Bueno não aparece como finalista de 2º turno em nenhum dos 200 mil cenários simulados
  • Vitória final de Vilela (somando 1º e 2º turnos): 95,4%
  • Vitória final de Perillo: 2,6%
  • Vitória final de Morais: 2,0%

Em nenhum dos 200 mil cenários simulados Vilela deixou de terminar o primeiro turno em primeiro lugar — a disputa real, segundo o modelo, está em saber se ele evita o segundo turno e em quem disputaria essa segunda etapa, não em se ele chega lá na frente.

Ressalvas do modelo

Nenhuma simulação substitui o voto. Três limitações merecem destaque: (1) o modelo herda os vieses metodológicos das pesquisas que o alimentam — se todos os institutos errarem na mesma direção, a simulação erra junto; (2) a premissa de que indecisos se dividem proporcionalmente às preferências já declaradas é uma simplificação — na prática, o "voto útil" de última hora costuma beneficiar desproporcionalmente quem já lidera, o que tenderia a subestimar Vilela nesta simulação; e (3) a um mês da eleição, fatos novos de campanha, debates e o horário eleitoral gratuito ainda podem mover números, especialmente na briga por segundo lugar entre Perillo e Morais, hoje tecnicamente empatada dentro da margem de erro.


Ficha técnica

Pesquisas utilizadas na simulação: Quaest/Genial (23–26/08/2026, TSE nº GO-06186/2026, n=804, MoE 3 p.p.); Real Time Big Data (24–27/08/2026, TSE nº GO-00954/2026, n=1.600, MoE 2 p.p.); AtlasIntel (27/08–01/09/2026, TSE nº GO-05293/2026, n=1.214, MoE 3 p.p.). Pesquisas de referência (contexto/tendência): Paraná Pesquisas/Portal 6 (03–05/07/2026 e 14–17/08/2026, TSE nº GO-01791/2026); Real Time Big Data — avaliação de governo (16–17/03/2026, TSE nº GO-07569/2026). Dados de redes sociais: Sólon Data, divulgado em 07/09/2026. Método: simulação de Monte Carlo, 200.000 iterações, Python/NumPy, executada pela redação do FATO.news em 08/09/2026.


Fontes:

TRANSPARÊNCIA EDITORIAL

Fontes consultadas

Referências utilizadas na apuração e disponíveis para conferência.

  1. 01
    FATO.newsPauta original da Redação FATO.news
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