PRESIDÊNCIA DO BRASIL 2026: ADAM EXAMINA O SEGUNDO TURNO SOB A LENTE DAS PESQUISAS, DA TRANSFERÊNCIA DE VOTOS E DA INCERTEZA ESTATÍSTICA
FATO.news | Eleições 2026 | 24 de outubro de 2026
Esta matéria foi produzida pela Redação fato.news com apoio da inteligência artificial ADAM, da HIMNI.COM, e passou por revisão editorial.
Fechamento desta revisão: consulta de 24/10, com a base de cinco pesquisas divulgadas de 21 a 23/10. Os resultados das rodadas previstas para 24/10 não foram confirmados nesta consulta e não integram o cálculo.
Lula e Flávio Bolsonaro chegam aos últimos dias da disputa com resultados próximos e diferenças entre institutos. O ADAM examina o primeiro turno, as preferências declaradas por eleitores de candidatos eliminados e os limites da interpretação estatística.
1. Primeiro turno: o ponto de partida
Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disputam a Presidência no segundo turno de 25 de outubro de 2026.
| Candidato | Votos no boletim consultado | Percentual dos votos válidos |
|---|---|---|
| Flávio Bolsonaro (PL) | 56.104.268 | 47,03% |
| Lula (PT) | 53.876.617 | 45,16% |
A tabela reproduz o boletim do TSE com 99,99% das urnas apuradas às 0h11 de 5 de outubro. Nesse recorte, a diferença era de 2.227.651 votos, ou 1,87 ponto percentual. Os números não são apresentados como contagem final de 100%.
A votação anterior é uma referência histórica. Não estabelece como votarão os mesmos eleitores, os que escolheram outras candidaturas ou os que não compareceram.
Fonte: TSE — Flávio Bolsonaro e Lula disputarão o segundo turno.
2. Os votos de candidatos eliminados
Assim como os votos de Álvaro Dias são relevantes para compreender a disputa estadual no RN, na eleição nacional interessa acompanhar os eleitores de Augusto Cury, Ronaldo Caiado, Renan Santos e dos demais candidatos eliminados.
Na AtlasIntel/Bloomberg divulgada em 19 de outubro, os cruzamentos por voto declarado no primeiro turno mostraram:
| Voto declarado no primeiro turno | Preferência por Flávio no segundo | Preferência por Lula no segundo |
|---|---|---|
| Augusto Cury | 42,4% | 52,1% |
| Ronaldo Caiado | 69,8% | 24,5% |
| Renan Santos | 33,5% | 31,9% |
Entre os entrevistados que declararam voto anterior em Renan, 34,6% indicaram branco, nulo ou não souberam responder. As duas colunas da tabela não esgotam as respostas de cada grupo.
Esses cruzamentos pertencem à pesquisa com 4.998 participantes, coletada entre 13 e 18 de outubro. A margem geral de um ponto percentual não pode ser aplicada automaticamente a esses subgrupos, menores que a amostra nacional. A reportagem consultada não informa suas margens específicas.
Fonte: Brasil de Fato — AtlasIntel/Bloomberg e transferência declarada de votos.
3. Identidade política não significa transferência automática
Os cruzamentos registram preferências distintas: Flávio concentra mais respostas entre os antigos eleitores de Caiado, Lula entre os de Cury, enquanto o grupo de Renan apresenta maior dispersão.
Isso não demonstra que todos esses eleitores formem blocos ideológicos uniformes. Também não permite afirmar que uma identidade partidária seja a causa exclusiva das escolhas. Avaliação do governo, rejeição, preferências pessoais e questões locais são hipóteses que exigem perguntas e cruzamentos próprios.
Um apoio anunciado por uma liderança não equivale à adesão de todos os seus eleitores. Multiplicar os percentuais de um subgrupo pelo total de votos de um candidato produziria uma extrapolação sujeita a erros de memória do voto, composição da amostra e comparecimento. Não seria uma contagem de votos já transferidos.
4. Retenção do voto, comparecimento e redes sociais
A escolha dos antigos eleitores de outras candidaturas é apenas uma parte da segunda votação. Também importam a manutenção ou mudança de preferência dos finalistas e a participação de quem faltou ao primeiro turno.
Na pesquisa BTG/Nexus de 19 de outubro, 90,9% afirmaram já ter decidido e não pretender mudar de voto; 8,4% admitiram mudança. A decisão declarada não garante o comparecimento nem a escolha efetiva na urna.
Fonte: Nexus — 18ª rodada, campo de 16 a 18 de outubro, 2.002 entrevistados.
No ambiente digital, o Índice de Popularidade Digital da Quaest, relatado pela Folha e monitorado até 22 de outubro, registrava 81,1 pontos para Lula e 77 para Flávio, em escala de zero a cem. O indicador reúne sinais de plataformas como Facebook, Instagram e TikTok.
Esses pontos não equivalem a votos. Comentários também podem expressar apoio, crítica ou simples repercussão. Esta matéria não apresenta coleta própria de comentários nem atribui percentuais de sentimento ou efeito eleitoral às redes.
Fonte: Folha — Índice de Popularidade Digital da Quaest.
5. Pesquisas de segundo turno e incerteza
O Datafolha divulgado em 22 de outubro apresentou 50% para cada candidato em votos válidos, após arredondamento. Antes dele, os percentuais informados eram 50,47% para Flávio e 49,53% para Lula.
Nos votos totais, eram 47% para Flávio, 46% para Lula, 5% de brancos/nulos e 2% de indecisos. O levantamento ouviu 2.520 pessoas entre 20 e 22 de outubro, com margem geral de dois pontos percentuais. Registro informado: BR-09709/2026.
A igualdade dos números arredondados não significa igualdade exata das estimativas, nem probabilidade de vitória de 50% para cada lado. Pesquisa descreve respostas do período de campo; não é o resultado da eleição.
Fonte: Folha/Datafolha — pesquisa de 22 de outubro.
6. Comparação entre levantamentos publicados
A tabela reúne levantamentos selecionados divulgados entre 21 e 23 de outubro. Não é uma lista exaustiva. A seção 7 explicita a transformação desse recorte em um exercício exploratório, sem alegar que ele represente todos os levantamentos disponíveis.
| Pesquisa e divulgação | Flávio | Lula | Base | Campo em outubro | Amostra | Margem geral |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Real Time Big Data — 23/10 | 52% | 48% | Válidos | 19–22 | 2.000 | ±2 p.p. |
| Vox Radar — 23/10 | 49,4% | 50,6% | Válidos | 20–22 | 2.100 | ±2,15 p.p. |
| Datafolha — 22/10 | 50% | 50% | Válidos, arredondados | 20–22 | 2.520 | ±2 p.p. |
| Indexa/Broadcast — 22/10 | 50,6% | 49,4% | Válidos | 20–21 | 2.000 | ±2,2 p.p. |
| Quaest — 21/10 | 45% | 44% | Totais | 17–20 | 2.154 | ±2 p.p. |
As bases devem permanecer identificadas: 45% dos votos totais não pode ser comparado diretamente a 52% dos válidos. Excluir indecisos no cálculo de uma pesquisa também não resolve como eles votarão.
As margens da tabela são as gerais divulgadas, não erros específicos da diferença entre candidatos. Todos os levantamentos informam confiança de 95%. Não se somam suas amostras como se fossem uma única pesquisa.
Fontes e registros informados:
- Real Time/CNN: BR-09670/2026.
- Vox Radar/CNN: BR-03259/2026.
- Datafolha/Folha: BR-09709/2026.
- Indexa/Broadcast/CNN: BR-02348/2026.
- Quaest/CNN: BR-08535/2026.
Os códigos são os publicados nas fontes vinculadas, sem alegação de conferência direta das fichas individuais no PesqEle. A página da Vox contém uma divergência de data no corpo do texto; adotou-se a publicação de 23/10, à 0h, compatível com o campo encerrado em 22/10.
7. ADAM Monte Carlo — exercício exploratório e suas premissas
Foi executado um exercício de sensibilidade com 100 mil sorteios por cenário. Ele não foi calibrado retrospectivamente e não constitui uma previsão validada de vitória. Os resultados abaixo respondem à pergunta “o que este modelo produz sob estas hipóteses?”, sem estabelecer a probabilidade real do resultado eleitoral.
Base de cálculo
Adota-se uma observação por instituto no recorte da seção 6. Para Flávio, as entradas em votos válidos são 52,0; 49,4; 50,47; 50,6; e 50,5618. O último número é a normalização de 45 ÷ (45 + 44) × 100, a partir dos percentuais totais arredondados da Quaest. Essa transformação não antecipa a escolha dos indecisos.
A média simples dessas cinco entradas é 50,6064% para Flávio, com complemento de 49,3936% para Lula. Pesos iguais são uma convenção deste exercício, sem validação como agregador. A seleção dos institutos, seus métodos e os arredondamentos podem afetar o centro calculado; essa média não é uma nova pesquisa.
Distribuição e erro assumidos
Em cada sorteio, o percentual de Flávio é dado por V = 50,6064 + b + σZ, com Z normal padrão; o de Lula é 100 − V. A normal é limitada ao domínio de 0% a 100%. Flávio supera Lula quando V é maior que 50; Lula supera Flávio quando V é menor que 50.
O parâmetro b representa um deslocamento sistemático assumido na participação de Flávio. O parâmetro σ é um desvio-padrão de incerteza total, em pontos percentuais da votação de um candidato. Ambos são hipóteses para sensibilidade, não estimativas extraídas das margens gerais das pesquisas.
São testados σ = 1,0; 1,5; e 2,0 pontos, inicialmente com b = 0. Um único erro nacional é sorteado por cenário: não se presume que os erros dos institutos sejam independentes, nem se reduz a incerteza dividindo-a pela raiz do número de pesquisas. Transferência, comparecimento e redes sociais não recebem ajustes separados.
| Hipótese de incerteza, sem deslocamento sistemático | Frequência de vitória de Flávio nos sorteios | Frequência de vitória de Lula nos sorteios |
|---|---|---|
| σ = 1,0 p.p. | 72,7% | 27,3% |
| σ = 1,5 p.p. | 65,5% | 34,5% |
| σ = 2,0 p.p. | 61,6% | 38,4% |
A faixa entre essas três hipóteses é de 61,6% a 72,7% para Flávio e de 27,3% a 38,4% para Lula. É uma faixa de resultados condicionais do modelo, não um intervalo de confiança nem uma probabilidade eleitoral validada. Os intervalos são complementares: o extremo inferior de um candidato corresponde ao superior do outro.
O teste que limita a interpretação
Mantendo σ = 1,5 ponto, um deslocamento de apenas um ponto no centro de Flávio muda bastante as frequências:
| Deslocamento assumido no percentual de Flávio | Flávio nos sorteios | Lula nos sorteios |
|---|---|---|
| −1 p.p. | 39,3% | 60,7% |
| Nenhum | 65,5% | 34,5% |
| +1 p.p. | 85,7% | 14,3% |
O exercício, portanto, não demonstra favoritismo robusto a erros sistemáticos. Consideradas também essas hipóteses, a sensibilidade se amplia para 39,3%–85,7% para Flávio e 14,3%–60,7% para Lula. Não foi estimado qual deslocamento é mais provável. Escolher apenas a primeira faixa e omitir este teste daria uma impressão injustificada de precisão.
As frequências foram conferidas por cálculo analítico da distribuição normal. A diferença entre sorteio e cálculo foi inferior a 0,3 ponto percentual nos cenários testados. Essa conferência verifica a execução, não a adequação eleitoral das premissas. As antigas probabilidades ADAM não foram usadas como entrada.
8. Conclusão editorial do FATO.news — A leitura ADAM
Três conjuntos de evidências
Primeiro turno. O boletim oficial consultado registra vantagem de 1,87 ponto para Flávio. Esse dado é histórico e não entra como bônus adicional na simulação.
Transferência declarada. Os cruzamentos mostram escolhas distintas entre antigos eleitores de Cury, Caiado e Renan. Eles contextualizam a disputa, sem transferência automática nem peso numérico adicional no exercício.
Pesquisas recentes. A base selecionada reúne vantagem de Flávio, vantagem de Lula e igualdade após arredondamento. Sua média descritiva normalizada fica próxima de 50,6% a 49,4%, sem representar projeção de votos para a urna.
Nossa opinião editorial
Na avaliação do FATO.news, o recorte analisado apresenta uma pequena inclinação numérica para Flávio, enquanto Lula permanece plenamente competitivo. Essa diferença é sensível ao erro das pesquisas e não permite tratar o resultado como encaminhado.
No exercício ADAM, quando se assume ausência de deslocamento sistemático e se varia a incerteza total entre um e dois pontos, as frequências de vitória ficam assim:
| Candidato | Faixa condicional no exercício ADAM |
|---|---|
| Flávio Bolsonaro (PL) | 61,6% a 72,7% |
| Lula (PT) | 27,3% a 38,4% |
Esses números expressam cenários exploratórios, não chances comprovadas de vitória. Um deslocamento de um ponto em favor de Lula já inverte o sinal do cenário intermediário; ao testar ambos os sentidos, as frequências variam de 39,3% a 85,7% para Flávio e de 14,3% a 60,7% para Lula. Por isso, a opinião editorial é de competição estreita com inclinação numérica no recorte, sem afirmar que a faixa mais favorável a Flávio seja a verdadeira probabilidade da eleição.
O comparecimento, mudanças de escolha e erros compartilhados pelos levantamentos podem ser decisivos. As interações digitais ajudam a acompanhar a campanha, mas não foram convertidas em votos. A votação de 25 de outubro de 2026 será a referência para avaliar o desempenho dessas hipóteses.
FATO.news — Jornalismo que analisa.
Edição: 24 de outubro de 2026. Nota metodológica: simulação exploratória executada; sem calibração retrospectiva, sem pesos estimados por instituto e sem alegação de probabilidade eleitoral validada. As faixas devem ser publicadas com suas condições e com o teste de erro sistemático. Fontes: TSE, Folha/Datafolha, CNN Brasil, Nexus e Brasil de Fato, vinculados ao longo da matéria.
Apêndice técnico para reprodução
Python 3, gerador padrão, semente 20261024. Os mesmos 100 mil valores normais são reutilizados para comparar os cenários. São cinco cenários avaliados, não 500 mil resultados independentes sobre a mesma hipótese.
```python import random from statistics import mean
entradas = [52.0, 49.4, 50.47, 50.6, 100 45 / 89] centro = mean(entradas) rng = random.Random(20261024) z = [rng.gauss(0, 1) for _ in range(100_000)] for b, sigma in [(0, 1), (0, 1.5), (0, 2), (-1, 1.5), (1, 1.5)]: votos = [min(100, max(0, centro + b + sigma x)) for x in z] flavio = 100 sum(v > 50 for v in votos) / len(votos) lula = 100 sum(v < 50 for v in votos) / len(votos) print(b, sigma, round(flavio, 1), round(lula, 1)) ```
Fontes consultadas
Referências utilizadas na apuração e disponíveis para conferência.
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